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Medicina comportamental

Para a maior parte das pessoas ter um animal de companhia significa uma experiência excepcional e muito agradável para toda a família. Mas, por vezes, alguns dos animais que fazem parte da família apresentam alguma forma de problema comportamental, tornando-os mais problemáticos e difíceis de controlar. Viver com estas situações pode ser muito complicado tanto para o dono como para o animal. É nesta altura que aparece a Medicina Comportamental.

A Medicina Comportamental é um campo interdisciplinar que envolve a medicina e a psicologia, permitindo interpretar as variações comportamentais e definir o modo de actuação para as controlar ou corrigir, quando necessário. As terapias utilizadas podem passar por alterações de maneio, treino especializado e fármacos.

Muitas das alterações verificadas devem-se à separação precoce dos animais bebés das mães, não permitindo um período de aprendizagem adequado, deficiente socialização enquanto jovens, problemas de maneio e falta de treino.

Para evitar os problemas comportamentais, os cães devem ser educados através do “reforço positivo”, isto é, devem ser incentivados a realizar as acções corretas através de recompensas, que podem passar por simples manifestações de carinho ou prendas, como biscoitos. Já o bem-estar de um gato pode ser conseguido através da adaptação do ambiente que o envolve, quer com a criação de pontos de abrigo, de pontos altos de vigilância, de difusores de feromonas ambientais, de arranhadores e de brinquedos para se distraírem. Em relação à alimentação e à caixa de areia, é essencial manter as taças de comida e as liteiras em locais diferentes, sendo que a ração deve ser doseada em várias refeições durante o dia, porque os gatos dão muita importância ao cheiro da comida e quando esta está muito tempo fora das embalagens perdem-no.

Nos cães os principais problemas encontrados são: agressividade, medo excessivo, desobediência, comportamento destrutivo, problemas de separação e ansiedade. Enquanto em gatos podemos encontrar: eliminação inapropriada de urina, agressividade, medo e comportamentos compulsivos.

Os problemas comportamentais em gatos podem aparecer por pequenas alterações no ambiente que os rodeia, influências hormonais e falta de enriquecimento ambiental, por exemplo. Eles sentem o excesso ou a falta de estímulos, mostrando desconforto através de mudanças no seu comportamento.

A agressividade canina quando dirigida a cães e pessoas estranhas, pode ser motivada por medo, protecção territorial e comportamento predatório. A agressividade dirigida aos proprietários é, muitas vezes, relacionada com comportamentos de dominância. Já em gatos, também pode ser induzida pelo medo, associada a brincadeiras, redireccionada, territorial, maternal, induzida por dor, apreendida ou idiopática.

As alterações comportamentais relacionadas com medo, desobediência e comportamentos destrutivos em animais jovens estão associadas a falha na aprendizagem maternal, falha na socialização juvenil e falta de treino especializado. Quando realizados corretamente os animais captam metodologias específicas, isto é, aprendem a lidar com alterações ambientais, presença de cheiros desconhecidos e a interagir adequadamente para cada situação.

Em idades mais avançadas é frequente estarem associadas a alguma senilidade. A disfunção cognitiva causada por alterações físicas e químicas a nível cerebral leva a um comportamento que pode ser equiparado ao Alzheimer em humanos. Apesar de esta ser uma alteração médica, muitas vezes o diagnóstico é feito pelas alterações comportamentais, sendo sempre necessário, descartar outras doenças, tais como, alterações cardiovasculares, neurológicas, gastrointestinais, urinárias e endócrinas.

A ansiedade por separação é muito comum em cães, caracterizando-se por animais que urinam em locais inapropriados, vocalizem excessivamente e que demonstrem comportamentos destrutivos após a ausência dos donos. Sinais menos comuns como diarreia, vómitos e salivação excessiva também podem aparecer.

Para estes casos de ansiedade podem ser utilizados calmantes e será recomendado treino, que se pode definir por alteração do comportamento dos donos antes de saírem de casa. Por exemplo, o cão relaciona a saída de casa dos donos com o barulho de pegar nas chaves do carro, uma solução será guardar as chaves do carro no bolso do casaco, evitando o barulho quando for sair.

Para os restantes casos a terapêutica será adaptada a cada um, a utilização de fármacos calmantes, ambientadores de feromonas, correção de maneio e treino devem ser recomendados pelo Médico Veterinário, de preferência especializado na área de Comportamento Animal. Este profissional irá interpretar as alterações comportamentais e com uma consulta, de preferência com todos os elementos da família, chegar à causa e estabelecer um plano terapêutico.

Sempre que haja uma alteração comportamental de um cão ou de um gato deve-se pensar nas mudanças que aconteceram na vida do animal nos últimos tempos. Sendo que a introdução de novos elementos no seio familiar, plantas, ou móveis podem desencadear uma alteração comportamental.

Autores Bruno Almeida e Luís Montenegro (publicado em "Saúde XXI")

 

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